sábado, 9 de abril de 2011

Indiferença habitual

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Homens bebem a noite

E degustam a madrugada
O crepúsculo, a aurora, as sobras do dia
Enquanto o dia pros outros termina
O meu chora e agoniza


Esses homens de bar...
Matam as horas
Fogem de casa
Das mulheres programadas
A fogão e lavatório
Mulheres pesadas,
Nunca por eles arrebatadas
Sempre impacientes à porta
De braços cruzados
Feição morta 
E à noite se danam
Fazem tudo tão mal
Que aos maridos enfadam
Entre cheiro de alcóol
E muita cólera

Não vingam amores
Onde só há corpos
Que clamam no luto solitário
Por colo

Cachorros também transitam pelos bares...
Um pouco mais sóbrios que os homens, é claro
Demarcando territórios
Observando os homens
E que atentos olhos!
Mas nao ousam imitá-los, é óbvio!

Eu, calada
Também observo os homens
Essas crianças solitárias
Um pouco apática
Faço cara de safada
Esperando que um deles me pare
E a proposta óbvia me faça

Me movimento pela calçada
Que comigo espera
Cúmplice e desesperada
Consulto o relógio ordinário
Cumprimento e sento na mesa do otário
Ele pede uma cerveja vagabunda
Passo a mão insinuante por sua bermuda
O sugerido convite
Agora é fatal
Se precipita no instante em que minha mão o toca

Eu me destruo sob o lençol
Com minha indiferença habitual
Elogio-lhe o tamanho descomunal
Finjo
Finjo tanto
Finjo muito
Finjo mal
Ele não se importa
De eu tanto fingir
Ele goza

Cobro o serviço
Do absurdo preço ele reclama
E eu vou embora
Morta

Os faróis me assustam
Converso somente com os carros luxuosos
Que baixam seus vidros
E fazem nova proposta. 

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